O Mercado de transferências encerrou ,finalmente, e apesar de ter aguardado ainda uns dias que permitissem a contratação de pelo menos mais um jogador livre que servisse como alternativa às laterais (altamente deficitárias para os próximos 2 meses) ou até o tal central veterano, recentemente consagrado como campeão da Europa pela Selecção e também campeão da Europa pelo Clube em 2004, a verdade é que foram já submetidas as listas para a UCL e nada de reforços.
Nesse sentido, e analisando muito friamente, é difícil dizer que, apesar do investimento realizado, a diferença em termos de qualidade entre o plantel que iniciou a pré-época e o que ficou é marginal (e neste momento torna-se até difícil verificar qual o melhor).
De facto, com o actual estado das finanças do clube seria muito difícil desbloquear qualquer verba para aquisições sem que estivessem asseguradas alguma vendas milionárias, e estas não chegaram a acontecer. Por isso, dada a escassez de recursos, conjugada com os investimentos realizados nos últimos anos, poderia (deveria) ter sido construído um plantel muito mais homogéneo, maximizando os recursos internos e permitindo encarar este início de época, até à possibilidade de reajuste em janeiro, um pouco mais "artilhados" e menos dependentes da fortuna.
O valor investido no defeso foi de cerca de 30 M€, acrescendo ainda dois jogadores por empréstimo (um em regime de aluguer (leia-se barriga de aluguer) e outro cuja aquisição do passe está agendado para as calendas gregas). E com 30 M€, poder-se-ia ser, a meu ver, muito mais inteligente.
Mas vamos ao detalhe.
- Gastamos 13 M € em 2 laterais esquerdos (Telles e Layun). Não estando em causa a qualidade, mas sim a racionalidade económica do investimento, não bastaria 1? De preferência Alex Telles, dado que por ser mais novo encaixa no modelo de gestão (cada vez mais caduco) do clube. Neste caso, com alternativas como Victor Garcia à direita (que em julho de 2015 custou 1,8 M€ por 80% do passe) e Rafa Soares à esquerda (um dos que teve a promessa de integrar o plantel) a qualidade estaria garantida. Poupança de 6,5 M€.
- Os 2 centrais adquiridos constituem mais um investimento de 13/14 M €. O Felipe parece ser bom investimento, apesar de ser um central brasileiro que chega à Europa apenas aos 27 anos (com todas as desconfianças que isso implica). Já Boly (e não Mangala), chega ao Dragão com 24 anos e apenas uma boa época no Braga (em 2014/2015 jogou quase sempre na equipa B), em que não se assumiu como titular indiscutível, mas sim como um de 3 centrais que rodavam entre si (os ex-dragões Ricardo Ferreira e André Pinto). Tem boas características para a posição, mas é também propenso a alguns lapsos. Na minha opinião dificilmente se afirmará de imediato como um titular indiscutível. Se o papel previsto é o de terceiro central, não seria Diego Reyes mais indicado? Mais 6,5 M€ de poupança.
- Diogo Jota e Oliver. Desportivamente nada a apontar. Como negócio é mau porque no Jota vamos apenas participar no processo de evolução, e no Oliver a cláusula é elevada , no entanto é um jogador de inegável qualidade e que aportará ao jogo do Porto muito mais critério no passe e na própria gestão dos ritmos do jogo.
- Depoitre aqui analisado. Mais 4 a 6 M€ de poupança.
Ou então, simplesmente não se agravaria a situação financeira, dependência de parceiros de negócio, etc...
Quanto às vendas, foram estas:
- Maicon (cerca de 8 M€).
O resto dos jogadores, alguns certamente bastante úteis para o clube limitaram-se a ser colocados através de empréstimos, sendo que desses, apenas 2 têm opção de compra (Aboubakar que será muito provavelmente adquirido pelo Besiktas por 10 M€ e Indi, que no Stoke City tem um desafio que o vai colocar bastante fora da zona de conforto - jogo de cabeça pouco eficaz).
Mais uma vez, se a ideia (veiculada pelo próprio Presidente) era ter um plantel, uma equipa, à Porto, se o dinheiro não abunda e se há um quadro de jogadores que obrigaram a investimentos avultados, que em tempos não muito idos foram considerados como capazes, porque não fazer algo deste género?
- GR - Casillas, José Sá, Gudiño
- DD - Maxi, Victor Garcia
- DE - Telles,Rafa Soares
- DC - Felipe, Marcano, Reyes, Chidozie
- MDef - Rúben Neves, Danilo
- MC - André André, Herrera, João Teixeira, Sérgio Oliveira, Evandro
- Mof - Oliver, Bueno
- Extremos - Corona, Brahimi, Otávio, Diogo Jota, Hernâni
- Avançados - André Silva, Gonçalo Paciência, Suk
Se vendessem Herrera e Brahimi, Francisco Ramos e Ivo poderiam perfeitamente ocupar o lugar no plantel.
Parecerá este plantel inferior ao actual? Terá menos soluções? Não é este plantel um compromisso entre sucesso desportivo e ajustamento financeiro? À excepção de Alex Telles, Felipe, João Teixeira, Oliver e Diogo Jota, todos os outros jogadores faziam parte dos quadros do clube a 30/06/2016.
P.S. 1.- Maxi Pereira lesionou-se 8 dias antes do fecho de mercado. O FCP tem 3 laterais direitos emprestados (Ricardo Pereira, Victor Garcia e David Bruno) e nenhum regressou. Se no caso do primeiro poderia ser muito complicado resgatar e o terceiro lhe faltar qualidade para um grande, Victor Garcia já demonstrou que pode ser lançado às feras. Não lhe iriam faltar oportunidades de jogo e poderia crescer dentro de um contexto de maior exigência. Ficam as opções da B, Rodrigo e Fernando Fonseca (que parece poder vir a tornar-se um caso sério) e uma possível adaptação. Espero que exista a coragem de não se realizar qualquer adaptação de última hora.
P.S. 2.- Permito-me não falar da saída do Antero Henrique, tanto a abordagem do Reflexão Portista como do Tribunal do Dragão cobrem amplamente o tema, subscrevendo eu a maior parte das opiniões veiculadas.
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