GR: Raul Gudiño; DD: Fernando Fonseca; DE: Inácio; DC: Chidozie; DC: Jorge Fernandes; MC: Tomás Podstawski, Omar Govea, João Graça; Ext: Rúben Macedo, Raúl Soares; Av: Areias. Entraram ainda Fede Varela (por Tomás Podstawski), Galeno (Raúl Soares) e Rui Moreira (Inácio).
![]() |
| (Fonte: RR.sapo.PT) |
Ainda assim, o perfil da equipa manteve-se inalterado face aos jogos anteriores, não obstante a alteração dos jogadores supra referida. Um 433, em que dois dos jogadores do meio campo se posicionam praticamente a par (Govea e Podstawski), permitindo maior liberdade a João Graça. Não sendo a disposição táctica que permite um maior nível de talento no meio campo (tanto Govea como Tomás são 6 de origem), é justificável pela “sobrevivência” do meio campo numa liga competitiva, com jogadores adversários já muito tarimbados e bastante competentes na pressão, e em que a maior parte das equipas acaba por jogar contra o Porto num bloco médio-baixo que força muito o contacto quando a bola entra no meio campo. Privilegia-se assim a cobertura defensiva no momento da perda de bola. No entanto, o jogo começou até com o Porto muito ofensivo, a conseguir guardar a bola e apresentando boas triangulações entre os jogadores mais avançados. Fruto da maior capacidade de pressão que Tomás e Govea ofereciam, conseguia recuperar a bola sempre de forma rápida. Foi assim que chegou ao Golo nos primeiros 10 minutos, e tendo uma oportunidade no minuto imediatamente seguinte. Depois, e em função das alterações forçadas pelas lesões de Tomás e Raúl ainda nos primeiros 30 minutos do jogo, o mesmo acabou por ficar mais repartido, apesar de até aos 55 minutos praticamente só existir perigo na baliza do Covilhã. A partir desse momento, a equipa B começou a ficar cada vez mais desconfortável no campo, perdendo a bola logo no início de construção, com Graça e Varela incapazes de ligar o jogo, já que quando desciam para receber, a pressão do meio campo serrano e a aparente melhor condição física do adversário permitia recuperar a bola muito cedo e jogar quase sempre dentro do meio campo do Porto. Também Areias que mostrou sempre muita capacidade de luta, foi quase sempre inconsequente, não conseguindo segurar a bola e permitir a subida das linhas nos momentos de maior pressão. Valeu nessa altura Gudiño e a linha defensiva que foi conseguindo conter os ataques e manter a baliza inviolada.
Detalhes dos jogadores:
Raúl Gudiño: Tarde com algum trabalho, com algumas defesas importantes, embora com grau de dificuldade médio. Nota-se evolução no jogo com os pés, porventura a característica mais deficitária que apresenta. De relevar a capacidade de saída aos cruzamentos, conseguindo ter um raio de ação bastante amplo quando a bola se encontra no ar. Essa segurança acaba por se transmitir aos colegas de sector. Esperamos que consiga uma época sem sobressaltos (ao invés do empréstimo ao União da Madeira) por forma a readquirir a confiança e assumir num futuro muito próximo a baliza da equipa principal.
Fernando Fonseca: Calhou-lhe o elemento mais perigoso do Covilhã (Davidson) e foi ganhando e perdendo lances. Não foi por isso que se atemorizou, tentando sempre subir pelo corredor, conseguindo uma assistência (não materializada) para golo. De referir que no final do jogo, na fase de maior pressão do adversário, não teve muitas vezes apoio do extremo ou do interior, enfrentando muitas vezes 2 adversários.
Chidozie: Jogo relativamente tranquilo, apesar da pressão dos últimos minutos e o baixar de linhas da equipa. As referências de marcação, na maior parte do jogo foram caindo nas linhas, o que obrigou a um maior cuidado no posicionamento defensivo. Continua muito competente no jogo aéreo e evoluiu no acerto da linha defensiva, porém continua pouco objetivo e por vezes trapalhão na saída e condução de bola. Tem de evoluir este pormenor se quiser ser a opção que se espera na equipa A.
Jorge Fernandes: A quarta opção da equipa B para o eixo central fez um jogo muito competente. Bastante alto, foi muito capaz no jogo aéreo e anulou todas as investidas do adversário no seu raio de ação. Sempre com processos simples, não se coibiu de jogar para a bancada quando a isso foi obrigado. No entanto, foi demonstrando pormenores na condução e na saída de bola que deixam alguma expectativa para o futuro.
Inácio: Uma estreia no campeonato. E alguma expectativa para perceber o que um jogador com algum pedigree poderia apresentar. Fisicamente mais robusto que Luís Mata, entrou bastante tímido no jogo, tentando assegurar que as coberturas defensivas eram realizadas com qualidade, objetivo que cumpriu. Mostrou também uma leitura táctica interessante, fechando bem o espaço para o central, bem como o espaço nas costas. Com o decorrer do jogo, foi ganhando maior amplitude ofensiva, mostrando bom toque de bola e capacidade de explorar o flanco. Para rever no futuro.
Govea: É uma autêntica formiguinha de trabalho, tendo como principal valência a capacidade de ocupação de espaços. É pena não ter uma capacidade de construção acima da média, já que opta (quase sempre) pelo passe curto ao invés da progressão com bola, por forma a quebrar a contenção adversária ou então via passe longo (muito falível). Acaba por ser um dos responsáveis pela pouca amplitude do jogo portista, bem como pelo mastigar do jogo. Pelas capacidades condicionais que apresenta, bem como pela leitura de jogo no seu momento de transição (Defensiva/Ofensiva), parece ter muito mais características de box to box do que médio defensivo. Estar mais próximo da área também lhe permitira fazer uso da meia distância um pouco mais frequentemente.
Tomás Podstawski: Apenas 21 minutos em campo e uma oportunidade de fazer o 2-0 à boca da baliza. Não parece ainda confortável como 8 ou a par de Govea (parece sempre ser capaz de segurar a posição 6 sozinho), já que aparenta sempre alguma lentidão de processos, desconforto mos movimentos de costas para a baliza ou na ligação ao avançado/extremo. Uma vez que Govea parece imprescindível, acaba por trazer a dimensão física que a segunda liga muitas vezes necessita.
João Graça: Um golo e muita influência na melhor fase do jogo. Com bola apresenta sempre qualidade na condução, cabeça levantada a procurar as melhores opções, seja o passe no espaço, no pé ou progressão. Tenta combinar com frequência com o ponta de lança ou com os alas. Na 2ª parte pareceu já muito desgastado e incapaz de pegar tanto no jogo, sendo um dos responsáveis pelo baixar das linhas e maior pressão defensiva. Ainda que já tenha estado melhor que nos últimos jogos, está ainda longe do jogador que o ano passado chegou a ser equacionado como opção na equipa A.
Raúl Soares: Responsável pelo passe para o único golo, numa combinação com Govea e Graça, aguentou apenas 29 minutos em campo. Nesse período mostrou bons pormenores técnicos. Apesar de jogar na linha, parece ter características de 2º avançado, dada a forma como recebe e enquadra no corredor central. Sem grande capacidade de explosão/aceleração, demonstrou bom sentido colectivo, com alguma rapidez a decidir e a combinar tanto com o ponta de lança como com a linha média, criando vários desequilíbrios.
Rúben Macedo: Apareceu apenas a espaços. Excelente em alguns lances (a forma como quebra o lateral e cruza para Tomás desperdiçar é fantástica), continua bastantes vezes longe do centro do jogo, com a incapacidade em receber a bola e enquadrar desde logo para tentar o desequilíbrio ou esticar o jogo. Precisa de sair da zona de conforto (linha) mais vezes por forma a soltar o potencial que nele se adivinha a cada toque. Fora Ismael Diaz, é o extremo mais excitante da B.
Areias: Parece ainda um corpo estranho na equipa, não tendo ainda sintonia com os jogadores que o municiam. Muitas vezes hesitante entre aproximar ou pedir na profundidade, ficando perdido entre os centrais. Voluntarioso nas ações, foi incapaz de conseguir segurar a bola na frente (como pivot) quando a equipa estava mais pressionada defensivamente, contribuindo para um encolher da mesma nessa fase.
Fede Varela: Jogador na linha do que Graça é, apresentando talvez maior rapidez de processos, insistindo em manter a bola no corredor central. A dupla com Graça, pela menor capacidade física de ambos e a propensão para a missão defensiva penaliza a consistência do meio campo, se bem que a fase de criação de jogo saia beneficiada. Apesar do número de opções para as alas, caso se tente aproximar a equipa B ao modelo de jogo que agora parece estar a ser implementado na A, poderia ser interessante alinhar na ala esquerda, um pouco à imagem de Otávio (Com Ismael Diaz e Areias na frente por exemplo).
Galeno: Entrou à meia hora de jogo e teve um comportamento regular, não conseguindo ser o abre-latas que a equipa precisou. Ainda conseguiu esticar o jogo e teve possibilidade de faturar, mas perdeu-se e foi engolido pela linha média do Covilhã quando o jogo enrijeceu. Tem velocidade e técnica, mas parece fisicamente muito frágil, não tendo grande capacidade no choque.
Rui Moreira: Entrou para defesa esquerdo numa altura em que Inácio estava diminuído fisicamente. Na altura em que entrou, mais do que propensão ofensiva pedia-se rigor defensivo e foi cumprindo. Com bola acrescentou critério na saída, aproveitando para ir esvaziando a pressão a que a equipa estava a sofrer.
Em suma, é ainda uma equipa em (re)formação, que está a tentar integrar vários jogadores novos que poderão vir a ser importantes no decurso do campeonato. De uma equipa que projectou vários jogadores, alguns dos quais com minutos na equipa principal em 2015/2016, apenas Gudiño, Fernando Fonseca e Tomás (que corre o risco de vir a estagnar) se afiguram como uma opção de recurso no imediato para a equipa A. Destaque ainda para Luís Mata (que neste jogo descansou), Rúben Macedo (com potencial enorme, mas ainda pouco influente na manobra da equipa), Fede Varela (muita qualidade técnica e muito dinamismo) e João Graça (a subir de forma).
Em suma, é ainda uma equipa em (re)formação, que está a tentar integrar vários jogadores novos que poderão vir a ser importantes no decurso do campeonato. De uma equipa que projectou vários jogadores, alguns dos quais com minutos na equipa principal em 2015/2016, apenas Gudiño, Fernando Fonseca e Tomás (que corre o risco de vir a estagnar) se afiguram como uma opção de recurso no imediato para a equipa A. Destaque ainda para Luís Mata (que neste jogo descansou), Rúben Macedo (com potencial enorme, mas ainda pouco influente na manobra da equipa), Fede Varela (muita qualidade técnica e muito dinamismo) e João Graça (a subir de forma).

