segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Equipa B: Porto 1 - Covilhã 0

Notas sobre o Jogo



GR: Raul Gudiño; DD: Fernando Fonseca; DE: Inácio; DC: Chidozie; DC: Jorge Fernandes; MC: Tomás Podstawski, Omar Govea, João Graça; Ext: Rúben Macedo, Raúl Soares; Av: Areias. Entraram ainda Fede Varela (por Tomás Podstawski), Galeno (Raúl Soares) e Rui Moreira (Inácio).
(Fonte: RR.sapo.PT)
Após 3 jogos sem vencer, a equipa B recebeu o Covilhã e é de destacar algumas alterações na equipa , por forma a dotar a mesma de maior consistência. Verificou-se o regresso de Gudiño, que não obstante o heroísmo de João Costa no último jogo em casa, empresta muito mais segurança defensiva. Na defesa, a opção pela capacidade aérea de Jorge Fernandes, por forma a estancar o número de golos sofridos em bolas paradas, e a entrada de Inácio (ex-São Paulo) por troca com Luís Mata (totalista até à data), jogador que agradou sempre que analisado, mas que está a iniciar o seu percurso sénior, numa posição que ainda está a conhecer e que acusa também um maior desgaste físico. Para a ala entrou Raúl Soares, que no pouco tempo em que esteve em jogo agradou bastante. Não sendo um jogador extremamente rápido conseguiu mostrar acerto na maior parte das ações em que tomou parte.
Ainda assim, o perfil da equipa manteve-se inalterado face aos jogos anteriores, não obstante a alteração dos jogadores supra referida. Um 433, em que dois dos jogadores do meio campo se posicionam praticamente a par (Govea e Podstawski), permitindo maior liberdade a João Graça. Não sendo a disposição táctica que permite um maior nível de talento no meio campo (tanto Govea como Tomás são 6 de origem), é justificável pela “sobrevivência” do meio campo numa liga competitiva, com jogadores adversários já muito tarimbados e bastante competentes na pressão, e em que a maior parte das equipas acaba por jogar contra o Porto num bloco médio-baixo que força muito o contacto quando a bola entra no meio campo. Privilegia-se assim a cobertura defensiva no momento da perda de bola. No entanto, o jogo começou até com o Porto muito ofensivo, a conseguir guardar a bola e apresentando boas triangulações entre os jogadores mais avançados. Fruto da maior capacidade de pressão que Tomás e Govea ofereciam, conseguia recuperar a bola sempre de forma rápida. Foi assim que chegou ao Golo nos primeiros 10 minutos, e tendo uma oportunidade no minuto imediatamente seguinte. Depois, e em função das alterações forçadas pelas lesões de Tomás e Raúl ainda nos primeiros 30 minutos do jogo, o mesmo acabou por ficar mais repartido, apesar de até aos 55 minutos praticamente só existir perigo na baliza do Covilhã. A partir desse momento, a equipa B começou a ficar cada vez mais desconfortável no campo, perdendo a bola logo no início de construção, com Graça e Varela incapazes de ligar o jogo, já que quando desciam para receber, a pressão do meio campo serrano e a aparente melhor condição física do adversário permitia recuperar a bola muito cedo e jogar quase sempre dentro do meio campo do Porto. Também Areias que mostrou sempre muita capacidade de luta, foi quase sempre inconsequente, não conseguindo segurar a bola e permitir a subida das linhas nos momentos de maior pressão. Valeu nessa altura Gudiño e a linha defensiva que foi conseguindo conter os ataques e manter a baliza inviolada.

Detalhes dos jogadores:

Raúl Gudiño: Tarde com algum trabalho, com algumas defesas importantes, embora com grau de dificuldade médio. Nota-se evolução no jogo com os pés, porventura a característica mais deficitária que apresenta. De relevar a capacidade de saída aos cruzamentos, conseguindo ter um raio de ação bastante amplo quando a bola se encontra no ar. Essa segurança acaba por se transmitir aos colegas de sector. Esperamos que consiga uma época sem sobressaltos (ao invés do empréstimo ao União da Madeira) por forma a readquirir a confiança e assumir num futuro muito próximo a baliza da equipa principal.

Fernando Fonseca: Calhou-lhe o elemento mais perigoso do Covilhã (Davidson) e foi ganhando e perdendo lances. Não foi por isso que se atemorizou, tentando sempre subir pelo corredor, conseguindo uma assistência (não materializada) para golo. De referir que no final do jogo, na fase de maior pressão do adversário, não teve muitas vezes apoio do extremo ou do interior, enfrentando muitas vezes 2 adversários.

Chidozie: Jogo relativamente tranquilo, apesar da pressão dos últimos minutos e o baixar de linhas da equipa. As referências de marcação, na maior parte do jogo foram caindo nas linhas, o que obrigou a um maior cuidado no posicionamento defensivo. Continua muito competente no jogo aéreo e evoluiu no acerto da linha defensiva, porém continua pouco objetivo e por vezes trapalhão na saída e condução de bola. Tem de evoluir este pormenor se quiser ser a opção que se espera na equipa A.

Jorge Fernandes: A quarta opção da equipa B para o eixo central fez um jogo muito competente. Bastante alto, foi muito capaz no jogo aéreo e anulou todas as investidas do adversário no seu raio de ação. Sempre com processos simples, não se coibiu de jogar para a bancada quando a isso foi obrigado. No entanto, foi demonstrando pormenores na condução e na saída de bola que deixam alguma expectativa para o futuro.

Inácio: Uma estreia no campeonato. E alguma expectativa para perceber o que um jogador com algum pedigree poderia apresentar.  Fisicamente mais robusto que Luís Mata, entrou bastante tímido no jogo, tentando assegurar que as coberturas defensivas eram realizadas com qualidade, objetivo que cumpriu. Mostrou também uma leitura táctica interessante, fechando bem o espaço para o central, bem como o espaço nas costas. Com o decorrer do jogo, foi ganhando maior amplitude ofensiva, mostrando bom toque de bola e capacidade de explorar o flanco. Para rever no futuro.

Govea: É uma autêntica formiguinha de trabalho, tendo como principal valência a capacidade de ocupação de espaços. É pena não ter uma capacidade de construção acima da média, já que opta (quase sempre) pelo passe curto ao invés da progressão com bola, por forma a quebrar a contenção adversária ou então via passe longo (muito falível). Acaba por ser um dos responsáveis pela pouca amplitude do jogo portista, bem como pelo mastigar do jogo. Pelas capacidades condicionais que apresenta, bem como pela leitura de jogo no seu momento de transição (Defensiva/Ofensiva), parece ter muito mais características de box to box do que médio defensivo. Estar mais próximo da área também lhe permitira fazer uso da meia distância um pouco mais frequentemente.

Tomás Podstawski: Apenas 21 minutos em campo e uma oportunidade de fazer o 2-0 à boca da baliza. Não parece ainda confortável como 8 ou a par de Govea (parece sempre ser capaz de segurar a posição 6 sozinho), já que aparenta sempre alguma lentidão de processos, desconforto mos movimentos de costas para a baliza ou na ligação ao avançado/extremo. Uma vez que Govea parece imprescindível, acaba por trazer a dimensão física que a segunda liga muitas vezes necessita.

João Graça: Um golo e muita influência na melhor fase do jogo. Com bola apresenta sempre qualidade na condução, cabeça levantada a procurar as melhores opções, seja o passe no espaço, no pé ou progressão. Tenta combinar com frequência com o ponta de lança ou com os alas. Na 2ª parte pareceu já muito desgastado e incapaz de pegar tanto no jogo, sendo um dos responsáveis pelo baixar das linhas e maior pressão defensiva. Ainda que já tenha estado melhor que nos últimos jogos, está ainda longe do jogador que o ano passado chegou a ser equacionado como opção na equipa A.

Raúl Soares: Responsável pelo passe para o único golo, numa combinação com Govea e Graça, aguentou apenas 29 minutos em campo. Nesse período mostrou bons pormenores técnicos. Apesar de jogar na linha, parece ter características de 2º avançado, dada a forma como recebe e enquadra no corredor central. Sem grande capacidade de explosão/aceleração, demonstrou bom sentido colectivo, com alguma rapidez a decidir e a combinar tanto com o ponta de lança como com a linha média, criando vários desequilíbrios.

Rúben Macedo: Apareceu apenas a espaços. Excelente em alguns lances (a forma como quebra o lateral e cruza para Tomás desperdiçar é fantástica), continua bastantes vezes longe do centro do jogo, com a incapacidade em receber a bola e enquadrar desde logo para tentar o desequilíbrio ou esticar o jogo. Precisa de sair da zona de conforto (linha) mais vezes por forma a soltar o potencial que nele se adivinha a cada toque. Fora Ismael Diaz, é o extremo mais excitante da B.

Areias: Parece ainda um corpo estranho na equipa, não tendo ainda sintonia com os jogadores que o municiam. Muitas vezes hesitante entre aproximar ou pedir na profundidade, ficando perdido entre os centrais. Voluntarioso nas ações, foi incapaz de conseguir segurar a bola na frente (como pivot) quando a equipa estava mais pressionada defensivamente, contribuindo para um encolher da mesma nessa fase.

Fede Varela: Jogador na linha do que Graça é, apresentando talvez maior rapidez de processos, insistindo em manter a bola no corredor central. A dupla com Graça, pela menor capacidade física de ambos e a propensão para a missão defensiva penaliza a consistência do meio campo, se bem que a fase de criação de jogo saia beneficiada. Apesar do número de opções para as alas, caso se tente aproximar a equipa B ao modelo de jogo que agora parece estar a ser implementado na A, poderia ser interessante alinhar na ala esquerda, um pouco à imagem de Otávio (Com Ismael Diaz e Areias na frente por exemplo).

Galeno: Entrou à meia hora de jogo e teve um comportamento regular, não conseguindo ser o abre-latas que a equipa precisou. Ainda conseguiu esticar o jogo e teve possibilidade de faturar, mas perdeu-se e foi engolido pela linha média do Covilhã quando o jogo enrijeceu. Tem velocidade e técnica, mas parece fisicamente muito frágil, não tendo grande capacidade no choque.

Rui Moreira: Entrou para defesa esquerdo numa altura em que Inácio estava diminuído fisicamente. Na altura em que entrou, mais do que propensão ofensiva pedia-se rigor defensivo e foi cumprindo. Com bola acrescentou critério na saída, aproveitando para ir esvaziando a pressão a que a equipa estava a sofrer.

Em suma, é ainda uma equipa em (re)formação, que está a tentar integrar vários jogadores novos que poderão vir a ser importantes no decurso do campeonato. De uma equipa que projectou vários jogadores, alguns dos quais com minutos na equipa principal em 2015/2016,  apenas Gudiño, Fernando Fonseca e Tomás (que corre o risco de vir a estagnar) se afiguram como uma opção de recurso no imediato para a equipa A. Destaque ainda para Luís Mata (que neste jogo descansou), Rúben Macedo (com potencial enorme, mas ainda pouco influente na manobra da equipa), Fede Varela (muita qualidade técnica e muito dinamismo) e João Graça (a subir de forma).

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Emprestados – Perfil da Semana: Alberto Bueno

(fonte: zerozero.pt)

Alberto Bueno - 1 jogo, 1 golo, 1 assistência
 
Alberto Bueno foi contratado no início da época anterior a custo zero, com grandes expectativas dados os números que apresentou no Rayo Vallecano, e dizer que não teve uma boa época seria um enorme eufemismo. Contratado por Lopetegui, mas sem espaço no modelo de jogo deste, desde logo se verificou uma grande dificuldade em entrar na equipa. No entanto, quando entrou com o Braga (um jogo em que estes colocaram o autocarro), revolucionou o jogo e apenas não traduziu essa revolução em golos devido a manifesta falta de sorte. A utilização intermitente manteve-se até que uma lesão (e uma famigerada assobiadela por entrar como suplente em vez de André Silva) o arredaram das escolhas.
 
Pois bem, Alberto Bueno está de regresso ao futebol espanhol. E aos golos. E às boas exibições.
Após ter realizado a pré época no Futebol Clube do Porto e ter inclusivamente deixado boas indicações nos jogos, mesmo a recuperar da lesão e com menores índices físicos que os companheiros, desapareceu, quase de forma inexplicável, dos jogos, do banco, dos convocados, até ser finalmente emprestado ao Granada de Paco Jémez (treinador de Bueno no Rayo) nos últimos dias de mercado. Inexplicável porque quando jogou, não só pareceu conseguir encaixar nas duas posições em que NES o colocou, como vértice mais adiantado do meio campo (a 10) ou como 2º avançado num esquema de 442 clássico.
 
Jogador de fino recorte técnico e muita inteligência, mostra-se capaz de encontrar boas soluções na zona de terreno com maior densidade populacional, conseguindo progredir com bola, mas mais frequentemente através de associação com o avançado (esteja num esquema de 433 ou 442), ou distribuição na ala. No jogo contra o Bétis jogou atrás do PL e faz uma excelente abertura com um passe de 35 metros da esquerda para a direita, conseguindo capitalizar o desposicionamento do adversário e possibilitar uma  1x1 em progressão do extremo (que resultou em golo). Posteriormente, já descaído sobre a direita, foi capaz de aproveitar um ressalto numa tentativa de combinação com o extremo desse lado, disparando cruzado e fora da área para o golo.
 
Ora, capacidade goleadora, boa tomada de decisão, repentista, versátil. Capaz de trazer a um jogo de posse a segurança e o privilégio pela exploração do corredor central. Dispensado após a pré época. Depois de uma boa pré época. Poderia ser o ano dele no Porto. Em associação com André Silva, fosse a partir do 433 ou do 442 (que não concordo que deva ser explorado numa fase tão precoce da época), seria uma opção que aproximaria de certeza a equipa do golo...e da vitória em cada jogo. Sem exuberâncias, mas eficiência. Que excelente opção que se perdeu.
 
Aos 28 anos não prevejo um retorno ao Futebol Clube do Porto. Infelizmente, porque de cada vez que ele tocou na bola (e o ano passado em que foi fustigado por lesões não foi pródigo) tenho a certeza que cada adepto portista ficou a salivar por mais.
 
Conforme Marega, mas por motivos obviamente diferentes, que faça uma excelente época e que seja transferido no final da mesma. Se não trouxe retorno desportivo, ao menos que traga financeiro ( a SAD bem precisa).

Plantel 2016/2017 - Plano B ( Avançados)

Após a análise ao plantel e à profundidade do mesmo nas posições de Defesa Central e Laterais, na última parte da série Plano B, abordamos as soluções que a equipa B apresenta para a posição de avançado.

Sendo certo que no início do estágio não faltariam opções interessantes para compor o plantel na posição de avançado (Aboubakar, Suk, Gonçalo, Bueno, assim à primeira vista, mas também Ghilas, por pertencer aos quadros do clube), é também certo que o mercado se encarregou de conseguir colocação para todos (a bem ou a mal).

Juntou-se também a contratação de Depoitre, numa operação contra relógio que permitiu ao belga observar com vista privilegiada o play-off da Champions League e um achado na equipa do Guimarães, Areias.

Assim, a posição de Avançado conta com:

Equipa A (André Silva, Depoitre, Adrian Lopez) 
Opções (Rui Pedro, Areias)


Começando por Areias. E como justificar a presença dele no plantel da equipa B, retirando espaço competitivo a Rui Pedro? E o facto de ter uma opção de compra de vários M€? Bom, talvez justifique com mais tempo de observação. No que ao jogar diz respeito, parece ser um avançado até com alguma mobilidade, apesar de ser bastante alto e com um jogo de cabeça interessante. Menos interessante é o facto de esse jogo de cabeça apenas sobressair se não estiver pressionado, pois não são muitos os duelos aéreos que vence (nem ofensiva, nem defensivamente). Mostra alguma qualidade técnica na recepção e associação com os médios, mas não peçam para rodar e enfrentar em 1x1 o marcador directo, falta explosão e capacidade técnica. Com 22 anos, poderemos estar equivocados, mas não poderá ser nunca este o jogador nº 1 a subir à equipa principal em caso de necessidade, pois para aquilo que se pretende num FCP forte, é demasiado curto. Demasiado banal. Não é sequer superior a Leonardo Ruiz e tem características muito semelhantes (que não viu o seu empréstimo renovado e seguiu nesses moldes para o Sporting).

Quanto a Rui Pedro, é o 3º ponta de lança formado pelo clube num curto espaço de tempo a que se augura um grande futuro (após Gonçalo Paciência e André Silva). E com razão. No seu 2º ano de júnior e já fisicamente maturado, Rui Pedro mostra ser um avançado já bastante completo e com domínio dos fundamentos da posição. Bom tecnicamente, na recepção e passe, capaz de partir para o drible e com um instinto goleador é um jogador que terá necessariamente de enfrentar estímulos competitivos mais elevados, jogando o mais rapidamente possível no escalão acima. No momento em que se escreve este texto, em 5 jogos na II Liga marcou 2 golos, sendo também importante na manobra da equipa pela mobilidade que empresta ao jogo. Parece ser capaz de se adaptar tanto ao 433 como ao 442, apresentando-se na linha do que é André Silva. É no entanto demasiado cedo para que se possa considerar como opção na equipa A, já que a evolução esperada e que o colocou como titular da B no início de época será necessariamente coarctada pelo tempo de jogo cedido a Areias. A ver vamos, mas está qui mais um diamante em potência. Esperemos que o destino dele não seja uma Académica ou um Tondela quando chegar ao primeiro ano de sénior.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Porto B 2 – Penafiel 2 - Notas do jogo e algumas reflexões

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(Fonte: gettyimages)
Ponto Prévio:A perspectiva que se pretende dar é principalmente sobre o que a equipa/jogadores foram conseguindo fazer durante o jogo (bem como algumas reflexões adicionais). Não uma análise à vertente técnico-táctica.

GR: João Costa; DD: Fernando Fonseca; DE: Luís Mata; DC: Rui Moreira; DC: Diogo Verdasca; MC: Tomás Podstawski, Omar Govea, Fede Varela; Ext: Rúben Macedo, Cláudio Ribeiro; Av: Areias. Entraram ainda João Graça (por Fede Varela), Galeno (Cláudio Ribeiro) e Tony Djim (Omar Govea).
No que diz respeito ao 11 inicial, além da alteração do PL (detalhada mais abaixo), verificou-se também a estreia de Omar Govea (regressado de lesão) no lugar de Graça, com o consequente avanço de Tomás para 8 e Fede a jogar a 10, ligeiramente mais avançado. Esta alteração contribuiu para um meio campo pouco dinâmico com Govea e Podstwaski muitas vezes a par. Este último mostrou-se frequentemente pouco confortável a receber a bola de costas para a baliza, bem como a transportar a mesma. Fica a ideia que é de frente para o jogo (como médio defensivo que poderá explanar toda a sua capacidade) que pode dar mais à equipa. Ademais, após a entrada de Graça e especialmente a saída de Govea, verificou-se a subida de rendimento no jogo. Govea, apesar do posicionamento mais defensivo, a fazer lembrar Herrera, demasiados toques na bola para construir, retirando muitas vezes a possibilidade de aproveitamento da Transição Ofensiva. Pelas características até poderá vir a resultar num 8 competente, mas precisa de ser mais expedito com bola. No meio campo, o único a destacar-se positivamente foi Fede Varela, que era o único que tentava imprimir maior dinamismo ao jogo. Transportava a bola, sempre com a mesma colada ao pé e tentava descobrir os caminhos entre o bloco baixo do Penafiel, tentando muitas vezes o espaço entre lateral e defesa. Tentava ser expedito na troca de bola em progressão mas via-se frequentemente numa ilha (Areias não dava apoio frontal, alas muito abertos na linha e Govea/Podstawski demasiado resguardados).
Na defesa, por castigo de Chidozie, entrou Rui Moreira, com a equipa a perder, e muito, capacidade física e jogo aéreo, mas a ganhar muito maior capacidade/critério na circulação de bola. Uma palavra para Rui Moreira. É a 2ª época de sénior do faz-tudo da equipa. Joga a defesa central, lateral esquerdo, a médio defensivo ou a médio interior. Confesso que é dos jogadores que mais aprecio a ver jogar (embora como central seja o lugar que menos gosto de ver). Tem um pé esquerdo de grande qualidade, vê-se bem a capacidade de controlo de bola, passe longo, exploração do corredor central (e até qualidade nas bolas paradas) e podia perfeitamente jogar a médio interior (com Tomás a Médio Defensivo), no entanto Govea retira-lhe esse espaço competitivo. O que conduz à questão: “O que está a fazer Govea na equipa B, ou mesmo nos quadros do clube?”. Não estando em causa a qualidade do jogador, não parece uma boa política ir buscar jogadores estrangeiros/fora do clube para posições bem preenchidas (a posição 6 tem Tomás, Rui Pires e ainda Rui Moreira). E mesmo a subida de Tomás à equipa A (numa lógica de reformulação drástica do plantel como aqui se sugeriu) permitiria um maior estímulo competitivo a Rui Pires.
O novo Ponta de Lança - Areias: Logo desde início é o porte físico que impressiona, sendo um jogador bastante alto (embora longilíneo). Demonstrou alguma agilidade, confortável com bola, mas também não demonstrou muita capacidade de oferecer apoios frontais e combinar com os médios (talvez pelo pouco entrosamento). Marcou um bom golo, estando no local certo para empurrar a bola. No entanto, ainda não é possível descortinar se aos 22 anos evoluirá o suficiente para justificar o afastamento de Rui Pedro da titularidade da B (e por conseguinte a menor exposição a um contexto competitivo mais exigente).
Os Extremos (Rúben Macedo e Cláudio Ribeiro) foram sempre pouco chamados ao jogo, demasiado colados à linha e bem marcados, receberam frequentemente de costas para a baliza, e portanto passaram demasiado tempo longe do centro do jogo. Nesta fase, Luís Mata também não subia muito, obrigando Rúben Macedo (um dos principais agitadores no esquema de jogo de Luís Castro) a estar praticamente sempre em inferioridade numérica. Apesar disso, Macedo teve nos pés duas das melhores oportunidades, com lançamentos em profundidade a deixarem-no em situação de 1x1 com guarda-redes, não tendo conseguido concretizar ambas. Mostra qualidade a receber, tanto no pé como no espaço, e rapidez a executar, mas tem de tentar assumir mais o jogo, procurar mais bola no corredor central. Boa combinação com Mata no segundo tempo com passe para o golo de Areias.
Quanto a Cláudio Ribeiro, é mais um caso de empréstimo em que parece incompreensível, dado a quantidade de opções presentes nos quadros do clube. É Certo que Kayembe já ultrapassou o prazo de estadia na equipa B, mas tendo o mesmo sido inscrito, sendo também um claro upgrade face a Cláudio e tendo custado 2,65 M€ por 85% do passe, é praticamente obrigatório que jogue. Até porque será, dos jogadores da B um dos mais evoluídos e capazes de responder a uma eventual chamada à equipa A (seja como extremo ou lateral). Cláudio é esforçado e o ano passado foi até bastante útil, mas é demasiado limitado tecnicamente e não tem uma leitura de jogo superior para justificar uma presença numa equipa B do Porto. A probabilidade de vir a ser chamado para um jogo competitivo na A deve ser perto de 0. Logo, que está ele a fazer na equipa? Mesmo que Kayembe tivesse sido colocado no mercado de Verão, existe ainda Tony Djim no plantel (e emprestou-se André Mesquita) e qualquer um dos sub 19 poderia subir e obter um estímulo competitivo superior (Generoso ou Idrissa, pelo menos até que Ismael Diaz regressasse de lesão).
Quanto aos laterais, foram sempre mais contidos ofensivamente. Fernando mais chamado ao jogo, com maior exuberância, mas foi algumas vezes refém da vontade e da raça, parecendo algo trapalhão na definição de algumas jogadas. De referir que no final do jogo, após o 1-2 e com a equipa muito balanceada foi sempre muito competente a cobrir o espaço defensivo (mesmo considerando que o Penafiel colocou um jogador fresco e muito potente fisicamente na ala na segunda parte).
Quanto a Luís Mata, pareceu sempre mais discreto, mas a colocar qualidade em todos os momentos do jogo. Muito critério com bola e muito competente a defender, tanto o 1x1 com o ala (o Penafiel e tentava muitas vezes bola na profundidade para o extremo) ou a juntar aos centrais (não parece pela estrutura delgada, mas tem 1,80 m). Impressiona também a calma com que aborda os lances e depois sai a jogar, utilizando várias vezes o pé menos forte para tocar com o central ou médio interior e sair em progressão. Cresce a cada jogo e foi fulcral para o primeiro golo ao combinar com Rúben Macedo.
Deixo João Costa para o fim. O Herói do jogo pelo golo do empate. Evoluiu bastante desde o último ano de sub 19 (o ano passado praticamente não jogou) e demonstra muito mais segurança. Não é um portento com os pés, mas é um jogador que cobre razoavelmente bem a baliza e com um timing de saída aos cruzamentos aceitável. Não sei se dará o salto competitivo necessário para poder vir a ser opção efetiva na equipa A. Mas que tem um espírito Porto bem vincado, isso ninguém duvida.
E agora Gudiño. Percebendo-se a aposta na prata da casa, que aqui apoiamos, fica também outra questão. Que se passa com Gudiño? Trata-se de proteger um investimento (o Porto tem 85% do passe) e gastou 1,5 M€. Se a partir do momento em Gudiño chegou ao clube foi sempre titular na respetiva equipa (o que significa que as opções existentes não eram melhores), jogando já como sub 19 na equipa B, chegou a ser chamado à equipa principal do México (esteve na Copa América deste ano) e tem um investimento significativo na posição, não se deverá apostar no mesmo? Mesmo não tendo tido uma meia época fantástica no União da Madeira, não deverá a confiança deste ser reabilitada através da chamada a jogo? Terá até falhado mais do que Casillas durante a época (não obstante as competições/pressão inerentes às mesmas serem diferentes)?

O Futebol Clube do Porto parece ter a posição de GR mais que assegurada para o futuro. Tem Gudiño, tem José Sá e tem Diogo Costa (primeira época de sub 19). E tem um que é inferior (João Costa), mas que é um verdadeiro Dragão e campeão em todos os escalões que participou.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Emprestados – Perfil da Semana: Kelvin


 

 
Fonte (youtube.com)



Kelvin – 2 jogos, 1 golo, 2 assistências
Kelvin continua a sua afirmação no São Paulo. Após um empréstimo ao Palmeiras sem grandes resultados em termos de minutos jogados, o jovem extremo conseguiu tornar-se um dos jogadores mais utilizados pelo clube, conseguindo convencer os vários treinadores que já passaram no tricolor.

 
Na semana em que recebeu a notícia de que iria regressar ao clube após o final do empréstimo teve impacto directo nos resultados, tendo marcado e assistido (por 2 vezes). Está já um jogador mais vertical, cada vez mais capaz de colocar a criatividade e técnica ao serviço do colectivo, e com uma tomada de decisão mais responsável. No entanto, a rapidez com que ainda quer fazer tudo e a facilidade com que desequilibra o adversário mostra-se por vezes uma tentação demasiado grande e impede-o por vezes de tomar a melhor opção disponível. Ainda assim, sendo colocado maioritariamente sobre o flanco direito, tem mostrado capacidade em combinar com o lateral e/ou a explorar o espaço interior, procurando ou o apoio frontal do Ponta de Lança (o São Paulo joga em 433), explorar o espaço central-lateral, ou tentando colocar jogável no lado oposto (após fazer colapsar a marcação do adversário directo). Aparenta poder ser um jogador ao nível do que traz Corona no desenho táctico da Equipa, certamente com menos capacidade finalizadora, mas talvez com mais criatividade.
Esperemos que se readapte rapidamente ao futebol europeu, já que no limite poderá vir a ocupar o espaço de um certo talento argelino que não saiu no mercado de Verão, mas que provavelmente sairá no de Inverno (pelo menos em janeiro, com a ida à CAN estará ausente).

 
O regresso ao Dragão parece ser para já a primeira medida visível do novo responsável pelo futebol, Luís Gonçalves, um homem que provém da área do scouting. Que a monitorização dos empréstimos, a identificação das necessidades da equipa, e a consequente avaliação sobre a adaptabilidade das soluções internas a esta seja um mantra a seguir e não uma medida isolada. Os activos que estão distribuídos por vários clubes, e que significaram em muitos casos um considerável esforço financeiro, merecem um acompanhamento sério por parte da estrutura.


Quem sabe se ao virar da esquina não estará a chave para o campeonato?




segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Sub 19 - FCP 2 - VSC 0 - Notas sobre o jogo


 

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  1. Rui Pedro – Incompreensível (ou compreensível dada a necessidade de tempo de jogo após contratação de Areias – que veio ocupar o espaço competitivo na equipa B) como desce novamente aos sub 19, mesmo após ter tido um desempenho bastante bom na equipa B, com 3 golos nos primeiros 5 jogos. Apesar de estar de volta ao escalão não se mostrou muito dentro do jogo (culpa também da boa exibição dos centrais adversários), tendo uma postura em que procurava mais a profundidade em vez de oferecer apoio central ao portador da bola. Poderá também ter sido prejudicado pelo jogo menos conseguido por parte dos médios centro que procuraram menos o jogo interior, tentando aproveitar mais as laterais. Ainda assim, um golo pleno de oportunidade e uma excelente jogada que resulta no 2º golo (forte no arranque e com um remate ao poste já de ângulo difícil, uma vez que foi esperando a chegada dos colegas).
  2. Moreto e Ayoub – Os interiores do Porto tiveram alguma dificuldade em conseguir enquadrar no corredor central, dada a pressão eficiente dos jogadores adversários. Forçados a jogar ao primeiro toque, tentaram jogar de forma simples e menorizar as perdas de bola, no entanto, tal resultou numa lateralização em excesso do jogo, sem que depois aproximassem ao portador para oferecer linha de passe. Pareceram sempre demasiado estáticos durante o o jogo. Moreto mais em foco pela intervenção nos 2 golos (marcou o 2º), mas falta ainda qualquer coisa que permita mitigar a falta de capacidade física (talvez a capacidade de acelerar em condução), que o faça emergir como opção para o futebol sénior.
  3. Transição Defensiva – Foram várias as vezes em que as perdas de bola resultaram em transições defensivas rápidas com número idêntico de atacantes e defensores a que a equipa se expôs. Rui Pires que normalmente é um garante de segurança, já que lê o jogo de forma bastante inteligente e rápida, não pareceu num patamar físico que lhe permitisse antecipar estancar essas jogadas, agravado também pelo facto de não ter beneficiado do comportamento algo estático dos 2 companheiros do meio campo, com uma reação à perda muito tardia.
  4. Idrissa e Generoso – Os 2 extremos são jogadores de perfis muito idênticos, que parecem já completamente maturados fisicamente. António Folha coloca-os a jogar num esquema em que é pedido os movimentos interiores (dado jogarem na linha oposta ao do melhor pé). Têm ambos excelente capacidade física e muita velocidade, o que os torna mais indicados para um jogo de Transição Ofensiva ao invés de Organização Ofensiva (têm algumas dificuldades em receber a bola de forma orientada/ultrapassar o adversário direto sem ser em velocidade pura). Se com Generoso o termo de comparação poderá ser Ivanildo (com todas as virtudes e deficiências que a comparação acarreta, capacidade técnica, mas perfil de decisão bastante básico), Idrissa parece ser mais potente, talvez até na linha do que é Ismael Diaz, mas falta melhorar a capacidade de decisão e a meia distância para poder vir a ser uma opção com maior futuro.
  5. Diogo Dalot – Talvez o melhor em campo. Os predicados físicos estão lá, sinónimos do lateral moderno. Alto, muito forte fisicamente, pareceu várias vezes uma autêntica locomotiva pelo corredor direito, beneficiando dos movimentos interiores de Generoso. Mostrou capacidade de aceleração do jogo e exploração do corredor central, tendo sido protagonista da melhor jogada da 1ª parte ao incorporar-se no ataque, estando perto do golo. Defensivamente, sempre no local certo.

sábado, 10 de setembro de 2016

Plantel 2016/2017 - Plano B ( os defesas centrais)

(fonte: fcporto.pt)
Continuamos a análise à pouca profundidade do plantel principal e quais as possibilidades que a equipa B apresenta para suprir no imediato essas mesmas falhas, com o mínimo de qualidade a que qualquer jogador do Futebol Clube do Porto se obriga.  
Se no último texto se fez referência a quais os laterais imediatamente disponíveis (a menção ao mercado de jogadores livres enfatiza as poucas soluções com utilidade), neste iremos abordar a posição de Defesa Central, que no defeso viu serem contratados 2 jogadores novos, por um valor agregado entre os 12 e 14 M€.

Defesas Centrais:

Equipa A (Felipe, Marcano, Boly) 
Opções (Chidozie e Diogo Verdasca)
Não obstante poder verificar-se algum potencial em ambos os jogadores sinalizados, a verdade é que é provavelmente este o sector com menos capacidade de resposta imediata por parte da equipa B.



Começando por Chidozie. O nigeriano, no seu primeiro ano de sénior em pleno, é neste momento o 4º defesa central do plantel, tendo tido até honras de apresentação oficial. Continua a sua evolução como Defesa Central, mostrando ter algumas características motoras condicionais interessantes para o desempenho da posição. O ano passado irrompeu pela mente dos portistas após ter conseguido convencer Peseiro em meros 20 minutos de treino (assim reza a lenda) na preparação para o clássico com o benfica. Apesar da vitória no jogo e de alguns bons pormenores, os jogos seguintes demonstraram que não detinha ainda o conhecimento da posição suficientemente inculcado para que pudesse significar uma aposta imediata. Baixou portanto este ano à equipa B, mantendo a possibilidade de jogar num contexto competitivo e, essencialmente, de continuar a sua aprendizagem. Este seu 3º ano nos quadros do clube é também importante porquanto permitirá garantir o compliance com as directrizes da UEFA, podendo vir a ser inscrito como formado no clube.
Médio defensivo de origem, tendo chegado como júnior de primeiro ano, Chidozie revela algum conforto no relacionamento com a bola, embora demonstre ainda alguma lentidão de processos na construção (a decisão nem sempre sai rápida o suficiente). No entanto, e como defesa central de uma equipa que se quer e é por definição grande, em Organização Ofensiva é possível vê-lo a tentar quebrar a contenção defensiva do adversário através da condução de bola ou passe vertical (embora este seja um aspecto em que tem de evoluir ainda bastante). Demonstra bom jogo de cabeça, conseguindo vencer a maior parte dos duelos aéreos e mostra-se relativamente rápido.
No entanto, é ainda bastante franzino, o que acaba por torna-lo vulnerável nos jogos em que o PL é mais posicional, não se conseguindo impor no corpo a corpo. São vários os exemplos em que o PL adversário consegue receber de costas para a baliza, segurar a oposição de Chidozie e esperar pelos companheiros, para depois os servir. É sem dúvida um aspecto que irá evoluir com maior trabalho muscular. Muitas vezes tenta mitigar esta dificuldade recorrendo à antecipação, mas também aí vai demonstrando algumas falhas, denotando por vezes alguma deficiência na leitura do jogo, com algumas tentativas de desarme/antecipação em zonas do campo que não oferecem perigo imediato e em que o recurso à contenção pode ser mais eficaz, sendo que a falha na ação defensiva individual  pode comprometer a situação defensiva colectiva. É necessário por isso trabalhar o conhecimento do jogo nesta matéria, de modo a que consiga identificar as situações em que deve recorrer à antecipação ou não.
Por último e não de menor importância, o posicionamento defensivo. É natural que um central de uma equipa grande passe muito tempo com 35/40 metros nas costas. É natural que este se encontre maioritariamente em situações de Transição Defensiva, onde não só se deve tentar suster o avanço do adversário ou recuperar o mais rapidamente possível a bola, como continuar a controlar a linha defensiva, mantendo o alinhamento com os restantes 3 de trás, o que possibilitará também, utilizar o fora de jogo como estratégia. Em todo o caso, é essencial distinguir os momentos de pressão/entrada à queima/desarme, com os momentos de contenção que permitam que o resto da equipa se agrupe.
De facto, parecem muito mais defeitos do que virtudes, porém Chidozie tem apenas 19 anos, uma capacidade física ainda em desenvolvimento, com características de base bastante interessantes. Tem ainda de apreender em definitivo os conceitos da posição, e por isso é que não se pode considerar como uma opção 100% segura para abastecer a equipa A. No entanto, ainda vai muito a tempo de se consolidar, especialmente num papel de "líbero".

Quanto a Diogo Verdasca, é um produto da formação do clube, no seu segundo ano de sénior, e parece ser um jogador com qualidades técnicas bastante interessantes e já com um conhecimento da posição muito satisfatório. Apresenta capacidade para sair a jogar com a bola controlada, ligando muito bem com a linha média. Em termos de conhecimento do jogo e capacidade para liderar uma linha defensiva, é claramente superior a Chidozie, sendo na equipa B o verdadeiro patrão de defesa. Consegue decidir rapidamente quando fazer a contenção ou tentar o desarme, no entanto peca por muitas vezes tentar limpar sempre a jogada de forma limpa, sem falta. E as faltas também são para se fazer. Essa característica, que não acredito ser de falta de nervo, poderá decorrer dos estímulos de jogo/treino que sempre enfrentou, em que a capacidade técnica exibida e a superioridade face à maior parte dos adversários lhe permitia defender sempre com a mente focada em atacar e por isso tentar sempre o corte limpo. É uma excelente característica, ainda por cima numa equipa como o Futebol Clube do Porto, mas há que definir bem quais os momentos mais propensos e quais os momentos em que se deve ser "feio, porco e mau".
Em termos motores, apresenta uma estrutura relativamente robusta, com uma altura razoável para defesa central, no entanto não é um especialista no jogo aéreo e é apenas moderadamente rápido. Seria importante que conseguisse juntar ao seu jogo a capacidade de injectar uma maior "agressividade" no tempo de entrada (sem maldade), mas que demonstrasse aquela garra, aquela vontade de morder os calcanhares.
Apresenta-se para já, e paradoxalmente (dado ser o patrão da defesa), atrás de Chidozie na lista dos centrais e caso não consiga evoluir os pontos menos fortes esta época poderá perder o lugar na estrutura (existe Palmer-Brown na B e para o ano tanto Diogo Queirós como Diogo Leite serão com certeza opções).

P.S. No mercado de jogadores livres existem Yohan Tavares e Felipe Santana, jogadores que poderiam assegurar o lugar de quarto central (não esquecer que Boly poderá ausentar-se o mês de janeiro inteiro jogando a CAN) e com experiência suficiente para não tremerem na chamada. Martin Cáceres (por se encontrar lesionado até outubro/novembro) e Ricardo Carvalho (pela questão de não poder jogar a UCL) serão à partida cartas fora do baralho.

Para o próximo artigo desta série - os Extremos.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Plantel 2016/2017 - Plano B ( os laterais)

No último texto exploramos a deficiente abordagem ao mercado de transferências por parte do Futebol Clube do Porto, em função da existência de fortes restrições orçamentais, bem como a incapacidade (ou a falta de vontade) da Direção Desportiva (ainda a cargo de Antero Henrique) em suprir os possíveis desequilíbrios que o plantel apresentava, ainda que recorrendo a jogadores dentro dos quadros do clube.

Neste tentar-se-á verificar quais as soluções que a equipa B poderá providenciar, uma vez que a época é longa, não numa óptica de solução imediata, mas sim de garantir maior profundidade ao plantel principal.

As posições mais carenciadas são as de Lateral, Defesa Central e Avançado, cada qual conta com apenas 3 jogadores de raiz. 

Comecemos então pelos laterais.

Equipa A (Maxi Pereira, Alex Telles, Miguel Layun) 
Opções (Fernando Fonseca e Luís Mata)

A equipa B apresenta duas soluções interessantes para esta posição, ainda que ambos os jogadores estejam a conseguir agora os seus primeiros minutos como profissionais. Tanto Fernando Fonseca (na direita) como  Luís Mata (na esquerda) apresentam biótipos similares, bastante longilíneos e com estatura igual ou superior a 1,80 m. Dada a participação nos jogos Olímpicos, Fernando conseguiu já um salto competitivo importante, aproveitando para se estrear pela seleção de sub 21.

Mais detalhadamente, Fernando é já o protótipo de lateral moderno, bastante rápido e incisivo nas suas ações. Em termos defensivos, tem definido bem, conseguindo honrar a linha defensiva e apresentando capacidade de jogar com largos metros nas costas, já que a velocidade exibida permite recuperar o posicionamento com rapidez. Apesar de não parecer muito forte fisicamente, consegue ser um jogador capaz de defender o espaço interior. Ofensivamente, tem mostrado capacidade em combinar com o médio interior e com o extremo, efectuando por várias vezes o overlapping ao mesmo. Precisa de evoluir ao nível do cruzamento, por forma a ganhar mais variabilidade no jogo.

O Luís Mata apresenta-se como uma adaptação bastante feliz, já que há 6 meses atrás era o extremo titular dos sub 19. Como o Fernando Fonseca, exibe muita velocidade e capacidade em recuperar rapidamente o espaço defensivo. Mas é ofensivamente que este jogador se destaca. À velocidade junta muito critério com bola, permitindo-lhe subir no terreno e por vezes explorar o corredor central, conferindo superioridade numérica no meio campo. Dada a superior qualidade técnica, consegue também aventurar-se no 1x1 sobre o lateral contrário, o que desde logo permite ao extremo desse lado juntar-se ao corredor central para criar mais opções de finalização. Não só exibe já muita competência a cruzar, como é capaz de atacar o espaço entre lateral e central, por forma a fazer colapsar as coberturas.

Apresentam-se ambos com ideias de equipa grande, por isso, sempre muito confortáveis com bola e sempre proactivos na tomada de decisão. De referir que nos sub 19 eram bastante propensos a faltas de concentração, no entanto Luís Castro tem conseguido trabalhar muito bem essa vertente, incutindo também um espírito muito competitivo.

Muito potencial, muita juventude. No entanto, esperemos que até finais de Outubro Maxi recupere da lesão. Apesar da evolução competitiva, tanto Fernando como Mata não estão ainda prontos para jogos com a pressão e intensidade que uma UCL acarreta ou mesmo um jogo de primeira liga contra um top 10.

P.S. No mercado de jogadores livres existem Leandro Salino e Bosingwa, já veteranos, já conhecedores do campeonato. Embora não possam ser inscritos na UCL, seriam uma opção útil para os próximos 2 meses.

Para o próximo artigo desta série - os Defesas Centrais

domingo, 4 de setembro de 2016

Mercado de Transferências - Quem não tem €€€, não tem Vícios


O Mercado de transferências encerrou ,finalmente, e apesar de ter aguardado ainda uns dias que permitissem a contratação de pelo menos mais um jogador livre que servisse como alternativa às laterais (altamente deficitárias para os próximos 2 meses) ou até o tal central veterano, recentemente consagrado como campeão da Europa pela Selecção e também campeão da Europa pelo Clube em 2004, a verdade é que foram já submetidas as listas para a UCL e nada de reforços.

Nesse sentido, e analisando muito friamente, é difícil dizer que, apesar do investimento realizado, a diferença em termos de qualidade entre o plantel que iniciou a pré-época e o que ficou é marginal (e neste momento torna-se até difícil verificar qual o melhor).

De facto, com o actual estado das finanças do clube seria muito difícil desbloquear qualquer verba para aquisições sem que estivessem asseguradas alguma vendas milionárias, e estas não chegaram a acontecer. Por isso, dada a escassez de recursos, conjugada com os investimentos realizados nos últimos anos, poderia (deveria) ter sido construído um plantel muito mais homogéneo, maximizando os recursos internos e permitindo encarar este início de época, até à possibilidade de reajuste em janeiro, um pouco mais "artilhados" e menos dependentes da fortuna.

O valor investido no defeso foi de cerca de 30 M€, acrescendo ainda dois jogadores por empréstimo (um em regime de aluguer (leia-se barriga de aluguer) e outro cuja aquisição do passe está agendado para as calendas gregas). E com 30 M€, poder-se-ia ser, a meu ver, muito mais inteligente.


Mas vamos ao detalhe.
 
  1. Gastamos 13 M € em 2 laterais esquerdos (Telles e Layun). Não estando em causa a qualidade, mas sim a racionalidade económica do investimento, não bastaria 1? De preferência Alex Telles, dado que por ser mais novo encaixa no modelo de gestão (cada vez mais caduco) do clube. Neste caso, com alternativas como Victor Garcia à direita (que em julho de 2015 custou 1,8 M€ por 80% do passe) e Rafa Soares à esquerda (um dos que teve a promessa de integrar o plantel) a qualidade estaria garantida. Poupança de 6,5 M€.
  2. Os 2 centrais adquiridos constituem mais um investimento de 13/14 M €. O Felipe parece ser bom investimento, apesar de ser um central brasileiro que chega à Europa apenas aos 27 anos (com todas as desconfianças que isso implica). Já Boly (e não Mangala), chega ao Dragão com 24 anos e apenas uma boa época no Braga (em 2014/2015 jogou quase sempre na equipa B), em que não se assumiu como titular indiscutível, mas sim como um de 3 centrais que rodavam entre si (os ex-dragões Ricardo Ferreira e André Pinto). Tem boas características para a posição, mas é também propenso a alguns lapsos. Na minha opinião dificilmente se afirmará de imediato como um titular indiscutível. Se o papel previsto é o de terceiro central, não seria Diego Reyes mais indicado? Mais 6,5 M€ de poupança.
  3. Diogo Jota e Oliver. Desportivamente  nada a apontar. Como negócio é mau porque no Jota vamos apenas participar no processo de evolução, e no Oliver a cláusula é elevada , no entanto é um jogador de inegável qualidade e que aportará ao jogo do Porto muito mais critério no passe e na própria gestão dos ritmos do jogo.
  4. Depoitre aqui analisado. Mais 4 a 6 M€ de poupança.
Com apenas a integração de 3 jogadores pertencentes aos quadros do clube, a poupança seria entre os 17 e os 19 M€. Provavelmente a novela Rafa, um extremo à medida do Porto, nem chegaria a ser novela. Ou a posição negocial para os empréstimos que se realizaram seria muito mais vantajosa, permitindo garantir que Oliver e Diogo Jota viessem ambos para ficar.
Ou então, simplesmente não se agravaria a situação financeira, dependência de parceiros de negócio, etc...

Quanto às vendas, foram estas:
- Maicon (cerca de 8 M€).
O resto dos jogadores, alguns certamente bastante úteis para o clube limitaram-se a ser colocados através de empréstimos, sendo que desses, apenas 2 têm opção de compra (Aboubakar que será muito provavelmente adquirido pelo Besiktas por 10 M€ e Indi, que no Stoke City tem um desafio que o vai colocar bastante fora da zona de conforto - jogo de cabeça pouco eficaz).
 
Mais uma vez, se a ideia (veiculada pelo próprio Presidente) era ter um plantel, uma equipa, à Porto, se o dinheiro não abunda e se há um quadro de jogadores que obrigaram a investimentos avultados, que em tempos não muito idos foram considerados como capazes, porque não fazer algo deste género?

  • GR - Casillas, José Sá, Gudiño 
  • DD - Maxi, Victor Garcia 
  • DE - Telles,Rafa Soares 
  • DC - Felipe, Marcano, Reyes, Chidozie 
  • MDef - Rúben Neves, Danilo 
  • MC - André André, Herrera, João Teixeira, Sérgio Oliveira, Evandro 
  • Mof - Oliver, Bueno 
  • Extremos - Corona, Brahimi, Otávio, Diogo Jota, Hernâni
  • Avançados - André Silva, Gonçalo Paciência, Suk
 
Se vendessem Herrera e Brahimi, Francisco Ramos e Ivo poderiam perfeitamente ocupar o lugar no plantel.

Parecerá este plantel inferior ao actual? Terá menos soluções? Não é este plantel um compromisso entre sucesso desportivo e ajustamento financeiro? À excepção de Alex Telles, Felipe, João Teixeira, Oliver e Diogo Jota, todos os outros jogadores faziam parte dos quadros do clube a 30/06/2016.

P.S. 1.- Maxi Pereira lesionou-se 8 dias antes do fecho de mercado. O FCP tem 3 laterais direitos emprestados (Ricardo Pereira, Victor Garcia e David Bruno) e nenhum regressou. Se no caso do primeiro poderia ser muito complicado resgatar e o terceiro lhe faltar qualidade para um grande, Victor Garcia já demonstrou que pode ser lançado às feras. Não lhe iriam faltar oportunidades de jogo e poderia crescer dentro de um contexto de maior exigência. Ficam as opções da B, Rodrigo e Fernando Fonseca (que parece poder vir a tornar-se um caso sério) e uma possível adaptação. Espero que exista a coragem de não se realizar qualquer adaptação de última hora.
 
P.S. 2.- Permito-me não falar da saída do Antero Henrique, tanto a abordagem do Reflexão Portista como do Tribunal do Dragão cobrem amplamente o tema, subscrevendo eu a maior parte das opiniões veiculadas.