quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Porto B 2 – Penafiel 2 - Notas do jogo e algumas reflexões

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(Fonte: gettyimages)
Ponto Prévio:A perspectiva que se pretende dar é principalmente sobre o que a equipa/jogadores foram conseguindo fazer durante o jogo (bem como algumas reflexões adicionais). Não uma análise à vertente técnico-táctica.

GR: João Costa; DD: Fernando Fonseca; DE: Luís Mata; DC: Rui Moreira; DC: Diogo Verdasca; MC: Tomás Podstawski, Omar Govea, Fede Varela; Ext: Rúben Macedo, Cláudio Ribeiro; Av: Areias. Entraram ainda João Graça (por Fede Varela), Galeno (Cláudio Ribeiro) e Tony Djim (Omar Govea).
No que diz respeito ao 11 inicial, além da alteração do PL (detalhada mais abaixo), verificou-se também a estreia de Omar Govea (regressado de lesão) no lugar de Graça, com o consequente avanço de Tomás para 8 e Fede a jogar a 10, ligeiramente mais avançado. Esta alteração contribuiu para um meio campo pouco dinâmico com Govea e Podstwaski muitas vezes a par. Este último mostrou-se frequentemente pouco confortável a receber a bola de costas para a baliza, bem como a transportar a mesma. Fica a ideia que é de frente para o jogo (como médio defensivo que poderá explanar toda a sua capacidade) que pode dar mais à equipa. Ademais, após a entrada de Graça e especialmente a saída de Govea, verificou-se a subida de rendimento no jogo. Govea, apesar do posicionamento mais defensivo, a fazer lembrar Herrera, demasiados toques na bola para construir, retirando muitas vezes a possibilidade de aproveitamento da Transição Ofensiva. Pelas características até poderá vir a resultar num 8 competente, mas precisa de ser mais expedito com bola. No meio campo, o único a destacar-se positivamente foi Fede Varela, que era o único que tentava imprimir maior dinamismo ao jogo. Transportava a bola, sempre com a mesma colada ao pé e tentava descobrir os caminhos entre o bloco baixo do Penafiel, tentando muitas vezes o espaço entre lateral e defesa. Tentava ser expedito na troca de bola em progressão mas via-se frequentemente numa ilha (Areias não dava apoio frontal, alas muito abertos na linha e Govea/Podstawski demasiado resguardados).
Na defesa, por castigo de Chidozie, entrou Rui Moreira, com a equipa a perder, e muito, capacidade física e jogo aéreo, mas a ganhar muito maior capacidade/critério na circulação de bola. Uma palavra para Rui Moreira. É a 2ª época de sénior do faz-tudo da equipa. Joga a defesa central, lateral esquerdo, a médio defensivo ou a médio interior. Confesso que é dos jogadores que mais aprecio a ver jogar (embora como central seja o lugar que menos gosto de ver). Tem um pé esquerdo de grande qualidade, vê-se bem a capacidade de controlo de bola, passe longo, exploração do corredor central (e até qualidade nas bolas paradas) e podia perfeitamente jogar a médio interior (com Tomás a Médio Defensivo), no entanto Govea retira-lhe esse espaço competitivo. O que conduz à questão: “O que está a fazer Govea na equipa B, ou mesmo nos quadros do clube?”. Não estando em causa a qualidade do jogador, não parece uma boa política ir buscar jogadores estrangeiros/fora do clube para posições bem preenchidas (a posição 6 tem Tomás, Rui Pires e ainda Rui Moreira). E mesmo a subida de Tomás à equipa A (numa lógica de reformulação drástica do plantel como aqui se sugeriu) permitiria um maior estímulo competitivo a Rui Pires.
O novo Ponta de Lança - Areias: Logo desde início é o porte físico que impressiona, sendo um jogador bastante alto (embora longilíneo). Demonstrou alguma agilidade, confortável com bola, mas também não demonstrou muita capacidade de oferecer apoios frontais e combinar com os médios (talvez pelo pouco entrosamento). Marcou um bom golo, estando no local certo para empurrar a bola. No entanto, ainda não é possível descortinar se aos 22 anos evoluirá o suficiente para justificar o afastamento de Rui Pedro da titularidade da B (e por conseguinte a menor exposição a um contexto competitivo mais exigente).
Os Extremos (Rúben Macedo e Cláudio Ribeiro) foram sempre pouco chamados ao jogo, demasiado colados à linha e bem marcados, receberam frequentemente de costas para a baliza, e portanto passaram demasiado tempo longe do centro do jogo. Nesta fase, Luís Mata também não subia muito, obrigando Rúben Macedo (um dos principais agitadores no esquema de jogo de Luís Castro) a estar praticamente sempre em inferioridade numérica. Apesar disso, Macedo teve nos pés duas das melhores oportunidades, com lançamentos em profundidade a deixarem-no em situação de 1x1 com guarda-redes, não tendo conseguido concretizar ambas. Mostra qualidade a receber, tanto no pé como no espaço, e rapidez a executar, mas tem de tentar assumir mais o jogo, procurar mais bola no corredor central. Boa combinação com Mata no segundo tempo com passe para o golo de Areias.
Quanto a Cláudio Ribeiro, é mais um caso de empréstimo em que parece incompreensível, dado a quantidade de opções presentes nos quadros do clube. É Certo que Kayembe já ultrapassou o prazo de estadia na equipa B, mas tendo o mesmo sido inscrito, sendo também um claro upgrade face a Cláudio e tendo custado 2,65 M€ por 85% do passe, é praticamente obrigatório que jogue. Até porque será, dos jogadores da B um dos mais evoluídos e capazes de responder a uma eventual chamada à equipa A (seja como extremo ou lateral). Cláudio é esforçado e o ano passado foi até bastante útil, mas é demasiado limitado tecnicamente e não tem uma leitura de jogo superior para justificar uma presença numa equipa B do Porto. A probabilidade de vir a ser chamado para um jogo competitivo na A deve ser perto de 0. Logo, que está ele a fazer na equipa? Mesmo que Kayembe tivesse sido colocado no mercado de Verão, existe ainda Tony Djim no plantel (e emprestou-se André Mesquita) e qualquer um dos sub 19 poderia subir e obter um estímulo competitivo superior (Generoso ou Idrissa, pelo menos até que Ismael Diaz regressasse de lesão).
Quanto aos laterais, foram sempre mais contidos ofensivamente. Fernando mais chamado ao jogo, com maior exuberância, mas foi algumas vezes refém da vontade e da raça, parecendo algo trapalhão na definição de algumas jogadas. De referir que no final do jogo, após o 1-2 e com a equipa muito balanceada foi sempre muito competente a cobrir o espaço defensivo (mesmo considerando que o Penafiel colocou um jogador fresco e muito potente fisicamente na ala na segunda parte).
Quanto a Luís Mata, pareceu sempre mais discreto, mas a colocar qualidade em todos os momentos do jogo. Muito critério com bola e muito competente a defender, tanto o 1x1 com o ala (o Penafiel e tentava muitas vezes bola na profundidade para o extremo) ou a juntar aos centrais (não parece pela estrutura delgada, mas tem 1,80 m). Impressiona também a calma com que aborda os lances e depois sai a jogar, utilizando várias vezes o pé menos forte para tocar com o central ou médio interior e sair em progressão. Cresce a cada jogo e foi fulcral para o primeiro golo ao combinar com Rúben Macedo.
Deixo João Costa para o fim. O Herói do jogo pelo golo do empate. Evoluiu bastante desde o último ano de sub 19 (o ano passado praticamente não jogou) e demonstra muito mais segurança. Não é um portento com os pés, mas é um jogador que cobre razoavelmente bem a baliza e com um timing de saída aos cruzamentos aceitável. Não sei se dará o salto competitivo necessário para poder vir a ser opção efetiva na equipa A. Mas que tem um espírito Porto bem vincado, isso ninguém duvida.
E agora Gudiño. Percebendo-se a aposta na prata da casa, que aqui apoiamos, fica também outra questão. Que se passa com Gudiño? Trata-se de proteger um investimento (o Porto tem 85% do passe) e gastou 1,5 M€. Se a partir do momento em Gudiño chegou ao clube foi sempre titular na respetiva equipa (o que significa que as opções existentes não eram melhores), jogando já como sub 19 na equipa B, chegou a ser chamado à equipa principal do México (esteve na Copa América deste ano) e tem um investimento significativo na posição, não se deverá apostar no mesmo? Mesmo não tendo tido uma meia época fantástica no União da Madeira, não deverá a confiança deste ser reabilitada através da chamada a jogo? Terá até falhado mais do que Casillas durante a época (não obstante as competições/pressão inerentes às mesmas serem diferentes)?

O Futebol Clube do Porto parece ter a posição de GR mais que assegurada para o futuro. Tem Gudiño, tem José Sá e tem Diogo Costa (primeira época de sub 19). E tem um que é inferior (João Costa), mas que é um verdadeiro Dragão e campeão em todos os escalões que participou.

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