sábado, 10 de setembro de 2016

Plantel 2016/2017 - Plano B ( os defesas centrais)

(fonte: fcporto.pt)
Continuamos a análise à pouca profundidade do plantel principal e quais as possibilidades que a equipa B apresenta para suprir no imediato essas mesmas falhas, com o mínimo de qualidade a que qualquer jogador do Futebol Clube do Porto se obriga.  
Se no último texto se fez referência a quais os laterais imediatamente disponíveis (a menção ao mercado de jogadores livres enfatiza as poucas soluções com utilidade), neste iremos abordar a posição de Defesa Central, que no defeso viu serem contratados 2 jogadores novos, por um valor agregado entre os 12 e 14 M€.

Defesas Centrais:

Equipa A (Felipe, Marcano, Boly) 
Opções (Chidozie e Diogo Verdasca)
Não obstante poder verificar-se algum potencial em ambos os jogadores sinalizados, a verdade é que é provavelmente este o sector com menos capacidade de resposta imediata por parte da equipa B.



Começando por Chidozie. O nigeriano, no seu primeiro ano de sénior em pleno, é neste momento o 4º defesa central do plantel, tendo tido até honras de apresentação oficial. Continua a sua evolução como Defesa Central, mostrando ter algumas características motoras condicionais interessantes para o desempenho da posição. O ano passado irrompeu pela mente dos portistas após ter conseguido convencer Peseiro em meros 20 minutos de treino (assim reza a lenda) na preparação para o clássico com o benfica. Apesar da vitória no jogo e de alguns bons pormenores, os jogos seguintes demonstraram que não detinha ainda o conhecimento da posição suficientemente inculcado para que pudesse significar uma aposta imediata. Baixou portanto este ano à equipa B, mantendo a possibilidade de jogar num contexto competitivo e, essencialmente, de continuar a sua aprendizagem. Este seu 3º ano nos quadros do clube é também importante porquanto permitirá garantir o compliance com as directrizes da UEFA, podendo vir a ser inscrito como formado no clube.
Médio defensivo de origem, tendo chegado como júnior de primeiro ano, Chidozie revela algum conforto no relacionamento com a bola, embora demonstre ainda alguma lentidão de processos na construção (a decisão nem sempre sai rápida o suficiente). No entanto, e como defesa central de uma equipa que se quer e é por definição grande, em Organização Ofensiva é possível vê-lo a tentar quebrar a contenção defensiva do adversário através da condução de bola ou passe vertical (embora este seja um aspecto em que tem de evoluir ainda bastante). Demonstra bom jogo de cabeça, conseguindo vencer a maior parte dos duelos aéreos e mostra-se relativamente rápido.
No entanto, é ainda bastante franzino, o que acaba por torna-lo vulnerável nos jogos em que o PL é mais posicional, não se conseguindo impor no corpo a corpo. São vários os exemplos em que o PL adversário consegue receber de costas para a baliza, segurar a oposição de Chidozie e esperar pelos companheiros, para depois os servir. É sem dúvida um aspecto que irá evoluir com maior trabalho muscular. Muitas vezes tenta mitigar esta dificuldade recorrendo à antecipação, mas também aí vai demonstrando algumas falhas, denotando por vezes alguma deficiência na leitura do jogo, com algumas tentativas de desarme/antecipação em zonas do campo que não oferecem perigo imediato e em que o recurso à contenção pode ser mais eficaz, sendo que a falha na ação defensiva individual  pode comprometer a situação defensiva colectiva. É necessário por isso trabalhar o conhecimento do jogo nesta matéria, de modo a que consiga identificar as situações em que deve recorrer à antecipação ou não.
Por último e não de menor importância, o posicionamento defensivo. É natural que um central de uma equipa grande passe muito tempo com 35/40 metros nas costas. É natural que este se encontre maioritariamente em situações de Transição Defensiva, onde não só se deve tentar suster o avanço do adversário ou recuperar o mais rapidamente possível a bola, como continuar a controlar a linha defensiva, mantendo o alinhamento com os restantes 3 de trás, o que possibilitará também, utilizar o fora de jogo como estratégia. Em todo o caso, é essencial distinguir os momentos de pressão/entrada à queima/desarme, com os momentos de contenção que permitam que o resto da equipa se agrupe.
De facto, parecem muito mais defeitos do que virtudes, porém Chidozie tem apenas 19 anos, uma capacidade física ainda em desenvolvimento, com características de base bastante interessantes. Tem ainda de apreender em definitivo os conceitos da posição, e por isso é que não se pode considerar como uma opção 100% segura para abastecer a equipa A. No entanto, ainda vai muito a tempo de se consolidar, especialmente num papel de "líbero".

Quanto a Diogo Verdasca, é um produto da formação do clube, no seu segundo ano de sénior, e parece ser um jogador com qualidades técnicas bastante interessantes e já com um conhecimento da posição muito satisfatório. Apresenta capacidade para sair a jogar com a bola controlada, ligando muito bem com a linha média. Em termos de conhecimento do jogo e capacidade para liderar uma linha defensiva, é claramente superior a Chidozie, sendo na equipa B o verdadeiro patrão de defesa. Consegue decidir rapidamente quando fazer a contenção ou tentar o desarme, no entanto peca por muitas vezes tentar limpar sempre a jogada de forma limpa, sem falta. E as faltas também são para se fazer. Essa característica, que não acredito ser de falta de nervo, poderá decorrer dos estímulos de jogo/treino que sempre enfrentou, em que a capacidade técnica exibida e a superioridade face à maior parte dos adversários lhe permitia defender sempre com a mente focada em atacar e por isso tentar sempre o corte limpo. É uma excelente característica, ainda por cima numa equipa como o Futebol Clube do Porto, mas há que definir bem quais os momentos mais propensos e quais os momentos em que se deve ser "feio, porco e mau".
Em termos motores, apresenta uma estrutura relativamente robusta, com uma altura razoável para defesa central, no entanto não é um especialista no jogo aéreo e é apenas moderadamente rápido. Seria importante que conseguisse juntar ao seu jogo a capacidade de injectar uma maior "agressividade" no tempo de entrada (sem maldade), mas que demonstrasse aquela garra, aquela vontade de morder os calcanhares.
Apresenta-se para já, e paradoxalmente (dado ser o patrão da defesa), atrás de Chidozie na lista dos centrais e caso não consiga evoluir os pontos menos fortes esta época poderá perder o lugar na estrutura (existe Palmer-Brown na B e para o ano tanto Diogo Queirós como Diogo Leite serão com certeza opções).

P.S. No mercado de jogadores livres existem Yohan Tavares e Felipe Santana, jogadores que poderiam assegurar o lugar de quarto central (não esquecer que Boly poderá ausentar-se o mês de janeiro inteiro jogando a CAN) e com experiência suficiente para não tremerem na chamada. Martin Cáceres (por se encontrar lesionado até outubro/novembro) e Ricardo Carvalho (pela questão de não poder jogar a UCL) serão à partida cartas fora do baralho.

Para o próximo artigo desta série - os Extremos.

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